Minha menina dos olhos
Agora você completou um aninho e aqui do outro quarto posso ouvir você dormindo. Não devo reclamar, porque apesar de quase não fechar os olhos de dia, a noite você dorme direitinho. Foi assim desde o começo, não sei se é você que não gosta da noite (não me parece) ou se eu que fui mal humorada em cada madrugada!
Esperava pelo dia que meu mundo se tornaria mais cor de rosa. Mais? Quase impossível! Antes de vocês nascerem, coloquei uma poltrona rosa choque com uma flor vermelha no meio da sala, pintei uma parede de verde limão e havaianas cor de rosa penduradas no armário.
Então chegou o Toto, aprendi a adorar piratas e dinossauros, até o lobo mau eu imitei, diversas vezes!
Mas eis que veio você. No princípio da gravidez nós não queríamos saber de que sexo era “o bebê”, queríamos surpresa para a hora da chegada. Fui até o quinto mês, com ar de superioridade e me convencia de não estar curiosa. Eu achava que era menina, achava muito, tinha certeza para ser mais exata, e após me segurar diante do ultrasom morfológico, no dia seguinte lá estava eu, no mesmo laboratório, de novo naquela cama, olhando para a TV, me rendendo aos seus encantos! E mais uma vez constatava a tal da intuição feminina – era menina! Passei então o dia pensando na canção do Toquinho - “menininha do meu coração, eu só quero você a três palmos do chão”.
Nós mulheres, somos assim mesmo, emotivas, curiosas, seguras, ansiosas, intuitivas, esse monte de coisas junto, e você minha princesa, não parece ser diferente, demonstra alto potencial para o histerismo!
Você é pura energia, em um minuto é capaz de se comunicar com tudo a sua volta! Já nasceu falando, só que com os olhos. Essas enormes bolas de gude que te acompanham não me enganam, menina você é danada! Se desdobra para conquistar o seu espaço, acho que é coisa de segundo filho, mas conquista com a maior desenvoltura. Na mesma proporção que é histérica e nervosa (tão pequena e tão nervosa, como pode?), é meiga e doce, com um sorriso malandro e encantador. Espero que faça bom proveito disso! Nunca vou esquecer da primeira vez em que viu uma boneca. (boneca mesmo, com aquela cara de nenê, não de pano) Você gritava e batia os pezinhos com tanta intensidade que foi então que eu constatei, é menina!!!
Passamos um ano tão agarradinhas, essa coisa de bebê, eu gosto de dar beijo e você gosta de ganhar! Te aperto, te aperto e te aperto, não me canso de te amassar! Às vezes fico só olhando, a maneira de você olhar!
No próximo ano, você entrará para a escola e eu fico imaginando quais serão as histórias, as preferências, as cores, as fantasias, as descobertas, como será o seu mundinho!
E quase me despedindo, deste seu primeiro aninho, com lágrimas nos olhos lhe digo: “e porque você é uma menina com uma flor, e tem uma voz que não sai, eu lhe prometo amor eterno” (Vinícius).


Lindo, maravilhoso post. Te entendo tanto, Lú. Nosso mundo tem um brilho diferente com nossas bonecas, né? Beijos para vocês!